1 de fev de 2018

MANUAL DE CONFINAMENTO DE BOVINOS



Introdução

As decisões que os pecuaristas devem tomar em relação aos investimentos em instalações e equipamentos para o confinamento devem ser embasados em informações técnico-econômicas provenientes de fontes seguras, de forma que o investimento seja realizado racionalmente, e não venha comprometer a viabilidade do projeto. As instalações e os equipamentos vão ter os custos diluídos no tempo, e deverão ser depreciados de acordo com as características de cada componente do investimento. Além disso, destaca-se que como são realizados como investimentos iniciais acabam tendo grande participação no custo de implantação do confinamento. Dessa forma, uma opção que deve ser adotada é a adaptação das instalações já existentes desde que atendam às necessidades técnicas do projeto.

As instalações devem ser construídas de forma a proporcionar conforto aos animais, para que possam expressar todo o potencial dado pelo patrimônio genético para ganho de peso, além de facilitar o manejo, e ainda serem econômicas. A literatura brasileira traz poucas informações a respeito desse assunto e, a maior parte das recomendações é proveniente da experiência de técnicos e criadores, bem como, da observação de resultados práticos com diferentes tipos de instalações. Na Figura 1 vemos um grande confinamento nos Estados Unidos com excelente distribuição de áreas e instalações.
A literatura destaca que o estresse ambiental pode produzir prejuízos significativos sobre o desempenho animal, com redução no ganho em peso e piorando a conversão alimentar. O Brasil é um país de extensão continental, apresentando regiões com as mais variadas condições climáticas e, portanto, a observância dessas particularidades deve fazer parte do rol de prioridades durante as decisões. No Brasil, em função da engorda intensiva de bovinos ainda ser predominantemente uma atividade estacional, deve-se optar sempre por instalações rústicas, simples, práticas e em número reduzido, de forma a atender racionalmente as necessidades das operações. A propriedade onde se pretende implantar o projeto deve apresentar infraestrutura básica que contemple boas vias de acesso, instalações elétricas e disponibilidade de água, inclusive com reservatório que possa abastecer o confinamento por período de quatro a cinco dias no mínimo.
Informações importantes para o planejamento e instalação de confinamentos

A. Fotos aéreas.

B. Mapas topográficos.

C. Mapas de solos e plano de conservação de solo e água.

D. Mapas geológicos.

E. Dados climáticos e hidrológicos.

F. Regulamentação e legislação sobre o tipo de empreendimento, e principalmente aquelas relacionadas às áreas de preservação permanentes e licenciamento ambiental.

Setores de um confinamento

A. Setor de armazenamento de alimentos e preparo de rações.
B. Sistema de abastecimento de água.

C. Setores de manejo do gado na terminação ou engorda.

D. Sistema de manejo de efluentes líquidos.

E. Sistema de manejo de dejetos sólidos.

F. Setor administrativo.

Áreas do confinamento

Um projeto de confinamento requer no mínimo três áreas especiais, no sentido de atender à rotina da atividade, quais sejam: área de manejo, área de alimentação e área de terminação ou engorda.

Área de Manejo

O preparo dos diferentes lotes de animais para o período de terminação é fundamental. Para que o máximo desempenho possa ser alcançado devemos destacar que a condição de saúde física,
a adaptação e a homogeneidade dos lotes devem ser prioridades. Levantamos este aspecto, porque nem sempre os animais tem como origem a propriedade onde está localizado o confinamento. É muito comum os animais serem adquiridos de fazendas e regiões muito diferentes e distantes. Esse fato nos obriga a observar detalhes, de condicionamento, no sentido de evitarmos ao máximo o estresse produzido pelo ambiente. Lotes e confinamentos onde esse cuidado não é observado apresentam alto índice de morbidade nos animais. As perdas econômicas decorrentes de mortes e descartes de animais, em função da transferência das condições extensivas da pastagem, para a condição intensiva do confinamento podem ser bastante significativas (Preston e Willis, 1974). Estes problemas são mais significativos quanto mais jovens forem os animais a serem confinados.

Os fatos explorados acima deixam claro que a área de manejo tem participação destacada na eficiência da atividade, e deve atender de forma adequada ao manejo geral dos lotes como:
recepção, embarque, seleção, marcação, aplicação de medicamentos, pesagem, entre outras práticas. Nessa área devemos ter mangueira com embarcadouro, seringa, brete, tronco de contenção, balança, currais de apartação, enfermaria, bebedouros, cochos, além de uma área destinada ao quarentenário. As especificações técnicas para construção de cada uma dessas instalações são variadas e devem ser adaptadas à realidade de cada fazenda ou mesmo regiões. No entanto, para consulta a respeito de normas e opções recomendamos Carneiro (1961) e Micheletti e Cruz (1985).

Área de Alimentação

A área de alimentação compreende todas as instalações e os equipamentos utilizados para armazenamento, preparo e distribuição dos alimentos, bem como, as áreas destinadas ao plantio de forrageiras, como milho, sorgo, milheto, cana ou capim
elefante, entre outras forrageiras, e que podem ser utilizados para confecção de silagem ou fornecimento verde. A infraestrutura mínima para que possamos ter condições adequadas para alimentação dos animais deve conter:

• Silos.

• Galpão para armazenamento de alimentos, suplementos e preparo de rações, com balança, triturador, misturadores e carretas.

• Galpão para máquinas e equipamentos, com depósito de ferramentas e utensílios.

• Trator, colhedeira de forragem, carretas, vagão forrageiro, arado, grades, plantadeiras e outros implementos e máquinas.

• Farmácia veterinária.

• Escritório.
Área de Terminação ou Engorda

A área de terminação ou engorda é aquela na qual os animais confinados permanecerão a maior parte do tempo, e nela estão incluídos os currais de engorda, cochos, bebedouros, cercas, corredores de alimentação e de serviço, e abrigos.

Tipos de confinamento

Em função de estarmos num país de grande área territorial e, portanto de muitas realidades quanto a
Figura 1 – Confinamento nos Estados Unidos da América.
clima, solo, raças criadas, bem como, nível de adoção de tecnologia e sócio econômico do pecuarista, observamos uma grande diversidade de instalações, principalmente quanto à área de terminação, o que dificulta estabelecermos padrões rígidos. Quanto à área de terminação, os tipos mais comuns e recomendados são:

• Piquetes com áreas de alimentação e descanso descobertas.
• Piquetes com área de alimentação coberta e área de descanso descoberta.

Esses dois sistemas apresentam menor custo dos investimentos e maior facilidade para construção. Normalmente, na maior parte dos confinamentos, as instalações se restringem a um conjunto formado por cercas, cochos, bebedouros e saleiros, em piso de chão batido e declividade adequada. O manual número 6 do Midwest Plan Service (1975), dos Estados Unidos, traz informações sobre alojamentos e equipamentos para gado de corte, e recomenda o seguinte:

Pensamento do mês

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