1 de mar de 2016

PALMA FORRAGEIRA E BAGAÇO DE CANA TRATADO COM UREIA E AMÔNIA NA DIETA DE RUMINANTES

Poliana Aguilar, Aureliano José Vieira Pires, Maxwelder Santos Soares, Leonardo Guimarães Silva, Joanderson Oliveira Guimarães, Leone Campos Rocha, Thaiane Costa Machado, Olivaneide da Silva Frazão
INTRODUÇÃO
A necessidade de suplementação alimentar de ruminantes durante o período de escassez de alimentos torna os métodos de conservação bastante recomendados e por isto, tem-se pesquisado alternativas que reflitam em diminuição dos custos e aumentem o valor nutritivo de alimentos considerados de baixa qualidade ou baixo valor nutritivo (Pinheiro et al., 2009).
A palma forrageira tem sido utilizada
como base da alimentação em rebanhos do Nordeste
 
por ser uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas da região, apresentando altas produções de matéria seca por unidade de área, constituindo-se em excelente fonte de energia, rica em carboidratos não fibrosos e nutrientes digestíveis totais. Porém, apresenta teores reduzidos de fibra em detergente neutro e proteína bruta. É de caráter imperativo a sua associação a volumosos com teores consideráveis de fibra efetiva, priorizando o equilíbrio entre carboidratos fibrosos e não fibrosos na dieta, e fontes de nitrogênio (Pessoa et al., 2008). O bagaço de cana-de-açúcar é um alimento que apresenta como principais características elevado conteúdo em constituintes da parede celular, baixa digestibilidade e baixo teor de proteína bruta. Apesar de suas limitações nutricionais, trata-se de uma fonte de fibra importante para manter a saúde ruminal. Seu baixo teor em proteína leva à necessidade de correções nutricionais em dietas à base de bagaço de
O bagaço de cana-de-açúcar é um alimento que
apresenta como principais características elevado
conteúdo em constituintes da parede celular
cana-de-açúcar (Pinto et al., 2003). Diversos estudos demonstram a importância dos tratamentos químicos na melhoria do valor nutricional dos volumosos, dentre os quais, a amonização, com ureia ou amônia anidra, é a mais utilizada, tendo com principal vantagem a elevação dos conteúdos de nitrogênio aumentando a disponibilidade para os micro-organismos ruminais, e a redução da fibra em detergente neutro melhorando a digestibilidade. Quanto ao tratamento de volumosos de baixa qualidade por amonização se tem verificado elevação na degradação da celulose e hemicelulose, em razão da expansão de suas moléculas, com rompimento de pontes de hidrogênio e aumento da hidratação da fibra (Zanine et al., 2007). O teor de proteína bruta da palma forrageira é insuficiente para o adequado desempenho animal, quando fornecida como volumoso exclusivo (Ferreira, 2005), necessitando sua associação a suplementos nitrogenados. De forma análoga o bagaço cana-de-açúcar e a palma forrageira também podem ser associados à ureia ou a fontes de proteína verdadeira com o intuito de elevar seu teor proteico. A associação de uma única fonte suplementar à dieta, em oposição a um concentrado balanceado, facilitaria o manejo e possibilitaria a redução de custos (Pessoa et al., 2010). Portanto, objetivou-se avaliar a palma forrageira e bagaço de cana-de-açucar tratado com ureia e amônia na dieta de ruminantes.
PALMA FORRAGEIRA
A palma forrageira sem espinho não é nativa do Brasil, foi introduzida por volta de 1880, em Pernambuco, através de sementes importadas do Texas-Estados Unidos (Silva & Santos, 2007). Inicialmente, o valor forrageiro da palma no Nordeste não foi reconhecido, só despertando o interesse para este fim em Pernambuco e Alagoas em 1902 (Lira et al., 2006). A palma forrageira pertence à Divisão: Embryophyta, Sub-divisão: Angiospermea, Classe: Dicotyledoneae, Subclasse: Archiclamideae, Ordem: Opuntiales e Família:
A palma é uma forrageira totalmente adaptada às
condições edafoclimáticas da região, por pertencer
ao grupo das crassuláceas, que apresentam
metabolismo (CAM) com abertura dos
estômatos essencialmente à noite,
Cactaceae. Nessa família, existem 178 gêneros com cerca de 2.000 espécies conhecidas. Todavia nos gêneros Opuntia e Nopalea, estão presentes às espécies de palma mais utilizadas como forrageiras (Silva & Santos, 2007). A palma é uma forrageira totalmente adaptada às condições edafoclimáticas da região, por pertencer ao grupo das crassuláceas, que apresentam metabolismo (CAM) com abertura dos estômatos essencialmente à noite, quando a temperatura ambiente apresenta-se reduzida, diminuindo as perdas de água por evapotranspiração. A eficiência no uso da água, até 11 vezes superior à observada nas plantas demecanismo C3, faz com que a palma se adapte ao Semiárido de maneira inigualável a qualquer outra forrageira (Ferreira et al., 2008). Nos últimos anos, a palma forrageira voltou a ser cultivada em larga escala, principalmente no Nordeste que possui cerca de 600 mil hectares de área plantada, distribuídos nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia, onde a palma deixou de ser uma forrageira estratégica para ter uso rotineiro durante o período da seca, na alimentação animal (Santos et al., 2006). Dentre as variedades mais cultivadas no Nordeste brasileiro, encontram-se a gigante (Opuntia fícus-indica Mill), a redonda (Opuntia sp.) e a miúda (Nopalea cochenillifera Salm-Dyck) que são as variedades sem espinhos. Segundo Marconato (2008), o Brasil possui a maior área plantada com
Opuntia fícus-indica Mill
palma do mundo, sendo a maioria cultivada com a espécie Opuntia fícus-indica, mais conhecida como “Palma Gigante”, porém, sua produtividade é baixa, próximo de 40 t ha-1 . No México, local de origem da espécie, os agricultores produzem até 400 t ha -1 . Essa diferença se deve provavelmente à falta de informações e/ou de acesso a recursos para investimentos; ainda são relativamente poucos os produtores que cultivam a palma forrageira nos moldes tecnológicos de forma a obter um melhor rendimento e qualidade. De composição química variável segundo a espécie, idade, época do ano e tratos culturais, a palma forrageira é um alimento rico em água, carboidratos, principalmente carboidratos não fibrosos e matéria mineral, no entanto, apresenta baixos teores de matéria seca, proteína bruta, fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido comparada a outros alimentos volumosos (Tabela 1). Estes aspectos deverão ser levados em consideração quando for utilizada na alimentação dos animais, pois estes nutrientes poderão interferir no trato digestível, através da taxa de passagem, digestibilidade, fermentação, produtos finais, absorção e consequentemente no desempenho e na saúde, mediante isto deve ser sempre fornecida associada a fontes de fibra e de proteínas (Lira et al., 2005).
A palma é uma forragem muito palatável, que em geral, propicia altas ingestões de matéria seca. Entretanto, devido a diferenças na composição química ou anatômicas, pode haver diferença entre espécies no efeito sobre a ingestão da ração (Batista et al., 2013). A estratégia alimentar de misturar a palma aos demais ingredientes da dieta melhora o consumo de fibra, aumentando o consumo efetivo dos nutrientes (Souza et al., 2010).
O consumo voluntário refere-se à quantidade máxima de matéria seca que o animal ingere espontaneamente. É considerada a variável mais importante a influir no desempenho animal, pois possibilita determinar a quantidade de nutrientes ingerida e obter estimativas da quantidade de produto animal elaborado (Torres et al., 2009). Aguiar (2013) avaliou a influência dos teores de 0, 200, 400 e 600 g/kg-1 da palma forrageira cv. Gigante (base da matéria seca) na dieta de novilhas mestiças 3/4 Holandês-Zebu utilizou-se silagem de sorgo como volumoso e, como concentrado, milho, farelo de soja, ureia, sal de recria, calcário, fosfato bicálcio, e relatou que os consumos de matéria seca (MS), proteína bruta (PB), carboidratos não fibrosos (CNF) e nutrientes digestivos totais (NDT) foram influenciados de forma linear decrescente pelos teores de palma forrageira na dieta, esse comportamento pode ser justificado pelo decréscimo do teor de MS nas dietas com o aumento do teor de palma forrageira. Quanto ao peso corporal final (PCF) e ao

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