1 de dez de 2016

PALMA FORRAGEIRA NO NORDESTE DO BRASIL: ESTADO DA ARTE

Juliana Evangelista da Silva Rocha 
Pesquisadora, D. Sc., da Embrapa Caprinos e Ovinos 
Embrapa Caprinos e Ovinos Sobral, CE 2012
Apresentação 
A região semiárida é caracterizada pela instabilidade climática, limitando às atividades agropecuárias no Nordeste.  A concentração das chuvas em poucos meses do ano acarretam em estacionalidade de produção, com redução da disponibilidade de forragem no período seco e impactos negativos sobre a viabilidade técnica e econômica da produção animal. Neste cenário a palma forrageira se destaca como planta forrageira ideal para mitigar os efeitos do baixo rendimento da pecuária no semiárido. Se bem manejada, a palma é capaz de atingir altas produtividades, garantindo a suplementação dos animais. Pelas composições químicas não é recomendada em uso exclusivo, mas principalmente compondo o balanço nutricional da dieta e ofertando água aos animais. Por ser uma planta CAM, apresenta-se exigente em temperatura noturna amena e elevada umidade relativa do ar para o bom desenvolvimento, e estas características impedem que as atuais cultivares sejam plantadas em regiões de baixa altitude. Entretanto, existe variabilidade genética suficiente para ser explorada em programas de melhoramento, visando identificar materiais mais adaptados. Outro ponto focal nas pesquisas com palma forrageira é o desenvolvimento de cultivares resistentes à principal praga, a cochonilha. Mudanças climáticas, recuperação de áreas degradadas e múltiplos usos são perspectivas de aumento na área plantada e na procura por informações sobre a cultura. O Estado da Arte da Palma Forrageira no Nordeste do Brasil enfatiza a necessidade de incrementar as pesquisas com esta forrageira no semiárido. Evandro Vasconcelos Holanda Júnior - Chefe-Geral  da  Embrapa  Caprinos  e  Ovinos 
Introdução 
No Brasil sua introdução ocorreu no final do século XVIII (SIMÕES et al., 2005). A priori, era destinada à criação de uma cochonilha (Dactylopius cocus) capaz de produzir corante (LIRA et al., 2006). Logo em seguida, a planta passou a ser usada como ornamental. E somente no início do século XX, como planta forrageira. Esse último uso se intensificou na década de 90 quando ocorreram secas prolongadas no Nordeste (ALBUQUERQUE, 2000; SIMÕES et al., 2005).

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A área de cultivo no Brasil é superior a 500 mil hectares (MOURA et al., 2011), predominantemente no Nordeste. Adaptou-se bem ao semiárido por apresentar aspectos fisiológicos que permitem seu pleno desenvolvimento em condições adversas (TELES et al., 2002) e por se constituir alternativa energética de baixo custo (SILVA; SANTOS, 2006). Os aspectos fisiológicos que tornam a palma uma opção interessante para zonas áridas e semiáridas estão ligados à cutícula impermeável, ao menor número de estômatos e ao aparelho fotossintético. Classificada como planta CAM, tem a capacidade de captar a energia solar durante o dia e fixar o CO2 durante a noite, reduzindo a perda de água por evapotranspiração (RAMOS et al., 2011; SAMPAIO, 2005). Consequentemente, obtém maior eficiência no uso da água, sendo 10 vezes mais eficientes que numa planta C3 (LIRA et al., 2005). A cutícula impermeável garante a manutenção do equilíbrio hídrico, retendo água no interior da planta, protegendo contra o ataque de insetos e micro-organismos, refletindo a luz, reduzindo a temperatura interna e regulando a entrada e saída de oxigênio e gás carbônico. É considerada uma das melhores opções para a produção de forragem em sistema de sequeiro no semiárido, com capacidade de atingir altas produtividades de biomassa por área, sendo a cultura mais estável ao longo do tempo (MENEZES et al., 2005b). Sua estabilidade está associada à disponibilidade ao consumo dos animais, mesmo sob período de estiagem prolongada (SILVA; SANTOS, 2006), e pela capacidade de ser armazenada em campo.

A instabilidade climática é a grande limitação às atividades agropecuárias no Nordeste (CAVALCANTE; CÂNDIDO, 2003), gerando a estacionalidade na produção de forragem. Entretanto, a pecuária do semiárido possui outros entraves, como a falta de recursos do sertanejo, e a estrutura fundiária marcada pela predominância de propriedades de pequeno porte, possivelmente pela alta densidade demográfica (LIRA et al., 2005). Assim, custo e disponibilidade de forragem se tornam determinantes na composição da dieta dos animais. Por esses motivos, a palma integra o elenco de medidas comumente prescritas para mitigar os efeitos das secas através de esforços de programas federais desde a década de 1930 (SIMÕES  et al., 2005).

No Nordeste, o primeiro Estado a introduzir e pesquisar palma foi Pernambuco (LIRA et al., 2006), e até os dias atuais se destaca como grande líder na produção de conhecimento da espécie. O sucesso dos trabalhos no Estado é devido à boa adaptação da planta ao clima do agreste.

Clima e Solo

A palma forrageira é uma planta rústica que tem um bom desenvolvimento em região com pouca chuva. Entretanto, informações sobre umidade do ar e do solo, temperatura média do dia e da noite são determinantes na produção. Para determinar as faixas de aptidão para o cultivo de palma, Souza et al. (2008) elaboraram um zoneamento agroclimático, usando como ferramentas essenciais, as informações da fenologia e das características da cultura, associados às condições climáticas das regiões de origem e à dispersão comercial da palma forrageira. O zoneamento é de fundamental
CAVOUCO D
importância para o planejamento, a tomada de decisões e a identificação de áreas com potencial produtivo para ao cultivo de palma (MOURA et al., 2011). De acordo com esse zoneamento, o potencial produtivo ocorre em regiões cuja temperatura média oscila entre 16,1 °C e 25,4 °C; com máximas entre 28,5 °C e 31,5 °C e mínimas variando de 8,6 °C a 20,4°C. A amplitude térmica está situada entre 10,0 °C e 17,2 °C. A faixa ideal de precipitação se concentra entre 368,4 mm e 812,4 mm, embora possa ser cultivada com 200 mm, e o índice de umidade anual varia entre -63,1 e -37,3.

O crescimento da palma é favorecido nas maiores altitudes, devido à redução da temperatura do ar e ao aumento da umidade relativa no período noturno (55%-60%) (FARIAS et al., 2005). As espécies do gênero Opuntia não se adaptam a regiões de baixa altitude, às elevadas temperaturas noturnas e à baixa amplitude térmica. Isso ocorre em algumas regiões do semiárido e são a causa da baixa produtividade e até mesmo da morte da palma (SANTOS et al., 2006), a exemplos do município de Sobral no Ceará (LIRA et al., 2006) e das áreas baixas do Seridó e do Sertão Central do Rio Grande do Norte (LIMA et al., 2006). Relativamente exigente quanto às características físico-químicas do solo, o cultivo de palma pode ser indicado em áreas de textura arenosa à argilosa, sendo, porém, mais frequentemente recomendados os solos argilo-arenosos. Além da fertilidade, é fundamental, também, que o solo seja de boa drenagem, uma vez que áreas sujeitas a encharcamento não se prestam ao cultivo da palma (SANTOS et al., 2006). O cultivo também é inviável em regiões cuja precipitação anual é superior a 1100 mm (SOUZA et al., 2008).

Plantio e Manejo

A palma responde positivamente à melhoria nas práticas de cultivo. Portanto, quanto mais adequado for o seu manejo, maior será a sua produção (FARIAS et al., 2005).Para o preparo do solo, é recomendado aração, subsolagem, gradagem e profundidade dos sulcos de aproximadamente 20 cm (SILVA et al., 2004). O espaçamento a ser usado é variável com a fertilidade do solo, a quantidade de chuva (TELES et al., 2002), o número de plantas que se deseja por hectare e do uso isolado ou consorciado do campo (RAMOS et al., 2011). Na Tabela 1 constam alguns exemplos de espaçamentos e o número de plantas por hectare, devendo o agricultor definir suas prioridades.


Plantios mais adensados vêm sendo difundidos no Nordeste (mais de 60.000 plantas/ha) por produzirem maior quantidade de MS por hectare (LIRA et al., 2006), em função do maior número de brotações por unidade de área (DUBEUX JUNIOR; SANTOS, 2005). Entretanto, têm maior dependência de insumos externos (adubos químicos e corretivos) (TELES et al., 2002) e devem ser evitados nas regiões onde existe incidência da cochonilha do Carmim, pois podem garantir a permanência da praga e facilitar a infestação da cultura (ALBUQUERQUE, 2000).

Em contrapartida, a maior distância entre as fileiras permite trânsito de máquinas, facilidades nos tratos culturais (capina e fitossanitários), monitoramento sanitário e ainda permitem o consórcio do palmal com culturas anuais (FARIAS et al., 2000). Ramos et al. (2011) acrescentam como vantagem o menor risco na incidência de pragas e doenças pela maior exposição das plantas ao sol e aeração. A desvantagem é que a menor densidade exigirá maior controle das plantas daninhas (LIRA et al., 2005). A Figura 1 mostra um plantio mais adensado, usando 50 cm entre linhas e outro mais espaçado, com 1 metro de distância entre uma linha de plantio e outra. A utilização de culturas anuais, como milho, sorgo (Figura 2), feijão (Figura 3), mandioca etc., intercaladas com a palma, tem sido adotada com objetivo de viabilizar o cultivo em termos econômicos (SANTOS et al., 2006). O consórcio também pode ser feito em palmais mais adensados nos anos de plantio e de colheita. É importante enfatizar que a situação ideal de espaçamento é aquela em que a maior parte da luminosidade atinja as raquetes, sem haver sombreamento das mesmas (SAMPAIO, 2005).

Para adubação, Albuquerque (2000) encontrou melhor resposta no

3 de nov de 2016

Palma Forrageira (Opuntia Fícus- Indica Mill) como alternativa na alimentação de ruminantes

Cristina Cavalcante Félix da Silva1 e Luciana Carvalho Santos2
1Mestre em Zootecnia, UESB – Itapetinga, BA. cristina.zte@pop.com.br
2Mestranda em Zootecnia, UESB – Itapetinga, BA. llcarvalhos@yahoo.com.br
Fonte: Revista Electrónica de Veterinaria REDVET ISSN 1695-7504 http://www.veterinaria.org/revistas/redvet
Resumo
A exploração pecuária na região Nordeste é prejudicada pelas constantes secas e irregularidade das chuvas, causando assim, uma baixa produtividade de seu rebanho. Considerando essa má distribuição de chuvas, é necessária a busca de alimentos alternativos e mais baratos, como a palma forrageira. A palma forrageira sem espinho não é nativa do Brasil. No Nordeste do Brasil são encontrados três tipos distintos de palma: gigante, redonda e miúda. Essa forrageira apresenta alta produção de matéria seca por unidades de área, é uma excelente fonte de energia, rica em carboidratos não fibrosos e nutrientes digestíveis totais. Porém, a palma apresenta baixo teor de fibra em detergente neutro, necessitando sua associação a uma fonte de fibra que apresente alta efetividade. Assim, torna-se possível a associação da palma com alimentos de baixo custo, permitindo produção de leite e manutenção em níveis bastante próximos aos obtidos com alimentos de maior valor comercial. Com isso, esta revisão tem por objetivo demonstrar a eficiência da utilização da palma forrageira na alimentação de ruminantes.
Introdução
Devido à influência da irregularidade de distribuição das chuvas sobre a alimentação de ruminantes nas regiões semi-áridas é necessário buscar alternativas para a alimentação do rebanho. Segundo o IBGE (2001) a região nordeste do Brasil apresenta um rebanho bovino de 21.875.110 cabeças, 7.336.985 ovinos e 8.032.529 caprinos, representando, respectivamente, 13,2%, 51% e 93% do rebanho brasileiro.
A maioria dessa população tem como base alimentar a utilização de pastagens nativas ou cultivadas, no entanto, com a estacionalidade de produção das forrageiras é necessária a busca de alimentos alternativos. Na época das chuvas a disponibilidade de forragens é quantitativamente e qualitativamente satisfatória, todavia nas épocas críticas do ano, além da escassez de forragens o valor nutritivo se apresenta em níveis bastante baixos o que acarreta queda de produtividade e compromete a produção de leite e carne (Lima et al., 2004). Tradicionalmente, utiliza-se como concentrado energético o fubá de milho, numa relação de sete partes de milho e uma de uréia, substituindo a mesma quantidade de farelo de soja. Mas a utilização de fubá de milho como fonte energética, também pode comprometer custos de produção, por não ser produzido em larga escala no Semi-Árido Pernambucano. Assim, uma alternativa seria a utilização de uma fonte energética de menor custo e disponível na região (Melo et al., 2003). Neste caso, poderia ter como alternativa para as regiões semi-áridas do Brasil a utilização da palma forrageira. A palma forrageira sem espinho não é nativa do Brasil, foi introduzida por volta de 1880, em Pernambuco, através de sementes importadas do Texas-

Estados Unidos. No Nordeste do Brasil são encontrados três tipos distintos de palma: a) gigante - da espécie Opuntia fícus indica; b) redonda – (Opuntia sp); e miúda - (Nopalea cochenilifera). A palma forrageira, em regiões do semi-árido, é a base da alimentação dos ruminantes, pois é uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas e além de apresentar altas produções de matéria seca por unidades de área. É uma excelente fonte de energia, rica em carboidratos não fibrosos, 61,79% (Wanderley et al., 2002) e nutrientes digestíveis totais, 62% (Melo et al., 2003). Porém a palma apresenta baixos teores de fibra em detergente neutro, em torno de 26% (FDN), necessitando sua associação a uma fonte de fibra que apresente alta efetividade (Mattos et al., 2000). Com isso, esta revisão tem por objetivo demonstrar a eficiência da utilização da palma forrageira na alimentação de ruminantes.

Revisão de Literatura
1. A palma forrageira A palma forrageira pertence à Divisão: Embryophyta, Sub-divisão: Angiospermea, Classe: Dicotyledoneae, Sub-classe: Archiclamideae, Ordem: Opuntiales e família das cactáceas. Nessa família, existem 178 gêneros com cerca de 2.000 espécies
conhecidas. Todavia nos gêneros Opuntia e Nopalea, estão presentes às espécies de palma mais utilizadas como forrageiras. Existem três espécies de palma encontradas no Nordeste do Brasil, a palma gigante, palma redonda e palma miúda. a) Palma gigante- chamada também de graúda, azeda ou santa. Pertence à espécie Opuntia fícus indica; são plantas de porte bem desenvolvido e caule menos ramificado, o que lhes transmite um aspecto mais ereto e crescimento vertical pouco frondoso. Sua raquete pesa cerca de 1 kg, apresentando até 50 cm de comprimento, forma oval-elíptica ou sub-ovalada, coloração verde-fosco. As flores são hermafroditas, de tamanho médio, coloração amarelobrilhante e cuja corola fica aberta na antese. O fruto é uma baga ovóide, grande, de cor amarela, passando à roxa quando madura. Essa palma é considerada a mais produtiva e mais resistente às regiões secas, no entanto é menos palatável e de menor valor nutricional. b) Palma redonda (Opuntia sp.)- é originada da palma gigante, são plantas de porte médio e caule muito ramificado lateralmente, prejudicando assim o crescimento vertical. Sua

raquete pesa cerca de 1,8 kg, possuindo quase 40 cm de comprimento, de forma arredondada e ovóide. Apresenta grandes rendimentos de um material mais tenro e palatável que a palma gigante. c) Palma doce ou miúda- da espécie Nopalea cochenilifera, são plantas de porte pequeno e caule bastante ramificado. Sua raquete pesa cerca de 350 g, possuem quase 25 cm de comprimento, forma acentuadamente obovada (ápice mais largo que a base) e coloração verde intenso brilhante. As flores são vermelhas e sua corola permanece meio fechada durante o ciclo. O fruto é uma baga de coloração roxa. Comparando com as duas anteriores esta é a mais nutritiva e apreciada pelo gado (palatável), porém apresenta uma menor resistência à seca. Nos três tipos, as raquetes são cobertas por uma cutícula que controla a evaporação, permitindo o armazenamento de água (90-93% de água). As três espécies mencionadas não possuem espinhos (são inermes) e foram obtidas pelo geneticista Burbanks, a partir de espécies com espinhos. Foram introduzidas no Brasil por volta de 1880, em Pernambuco, através de sementes vindas do Texas, nos Estados Unidos, onde demonstraram grande utilidade. Não toleram umidade excessiva e em solos profundos apresentam extraordinária capacidade de


extração de água do solo, a ponto de possuir cerca de 90-93% de umidade, o que torna importantíssima para a região do polígono das secas. (Pupo, 1979). Atualmente, estima-se que, pela ocorrência de severas estiagens nos últimos anos, área superior a 400.000 ha esteja sendo utilizada com o cultivo das palmas forrageiras, constituindo-se em uma das principais fontes de alimento para o gado leiteiro na época seca do ano (Mattos et al., 2000). A palma apresenta-se como uma alternativa para as regiões áridas e semi-áridas do nordeste brasileiro, visto que é uma cultura que apresenta aspecto fisiológico especial quanto à absorção, aproveitamento e perda de água, sendo bem adaptada às condições adversas do semi-árido, suportando prolongados períodos de estiagem. A presença da palma da dieta dos ruminantes nesse período de seca ajuda aos animais a suprir grande parte da água necessária do corpo. Segundo Silva et al. (1997) um fator importante da palma, é que diferentemente de outras forragens, apresenta alta taxa de digestão ruminal, sendo a matéria seca degradada extensa e rapidamente, favorecendo maior taxa de passagem e,
PRODUTOS BRS
consequentemente, consumo semelhante ao dos concentrados. A palma frequentemente representa a maior parte do alimento fornecido aos animais durante o período de estiagem nas regiões dos semi-árido nordestino, o que é justificado pelas seguintes qualidades: a) bastante rica em água, mucilagem e resíduo mineral; b) apresentam alto coeficiente de digestibilidade da matéria seca e c) tem alta produtividade. Como qualquer outra planta, a palma necessita de

26 de set de 2016

O SISTEMA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA SOLO-PLANTA-CLIMA


Por: Joelito de Oliveira Rezende 
Engenheiro Agrônomo, diplomado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); Doutor em Solos e Nutrição de Plantas, diplomado pela USP – ESALQ; pós-doutorado na Universidade de Valência, Espanha; Professor Titular Aposentado do CCAAB/UFRB;Membro da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Citricultura do Estado da Bahia. 
Luciano da Silva Souza 
Engenheiro Agrônomo, diplomado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA);Doutor em Ciência do Solo, diplomado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Pesquisador Aposentado da Embrapa Mandioca e Fruticultura; Professor Adjunto do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Bológicas, da UFRB. 
Roberto Toyohiro Shibata
Engenheiro Agrônomo, diplomado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); Empresário-citricultor, proprietário da Fazenda Lagoa do Coco, Município de Rio Real, Bahia. 

Sistema pode ser definido como um conjunto de partes que, coordenadas entre si, contribuem para certo fim. A produção agrícola - alimento, fibras e material para abrigo – é obtida pelo homem de um sistema naturalmente montado formado por três partes principais: o solo, a planta e o clima (Figura 1).
   
A explotação desse sistema pelo homem, para que seja permanente e garanta sua sobrevivência, requer que suas partes sejam compreendidas no que concerne às suas respectivas constituições (natureza) e comportamentos (reações a estímulos externos). É necessário, ainda, que se conheçam e se compreendam as interações entre tais partes, especialmente as que afetam a produção agrícola (MARCOS, 1983). 
O clima 
Clima é o nome que se dá à capacidade do ambiente externo de fornecer oxigênio, gás carbônico, calor, luz e água ao vegetal e ao solo; tem efeitos diretos sobre o vegetal e, também, efeitos indiretos por meio do solo (MARCOS, 1983). Como condicionante dos cultivos interfere em todas as fases de desenvolvimento das plantas, ou seja, na adaptação da variedade, no comportamento fenológico, na abertura floral, na curva de maturação, na taxa de crescimento, nas características físicas e químicas do fruto e no potencial de produção (SILVA et al., 2004).
A planta 
A Planta tem um potencial genético que lhe é intrínseco e particular; tal potencial significa capacidade intrínseca do organismo vegetal em utilizar elementos substâncias e energia, captados do solo e do clima, e transformá-los em material que é colhido pelo homem, em geral, na forma de algum dos órgãos ou partes do vegetal e, mais raramente, como todo o vegetal. Não há combinação de solo e clima que possa resultar em produção que ultrapasse o potencial genético do vegetal – a produção máxima é limitada por esse potencial (MARCOS, 1983).
O solo
 
O solo é um corpo natural independente na paisagem, com morfologia própria, resultado da combinação do clima, organismos, relevo, material de origem e tempo. A morfologia de cada solo, representada pelo seu perfil, reflete o efeito combinado desse conjunto particular de fatores genéticos responsáveis pelo seu desenvolvimento (Figura 2).
“Trata-se de um componente da biosfera terrestre fundamental não apenas para a produção de alimentos e fibras, mas também para a manutenção da qualidade ambiental e da própria vida. Sua qualidade - definida como a capacidade de sustentar a produtividade biológica, manter a qualidade ambiental e promover a saúde do homem, das plantas e dos animais - define sua potencialidade para determinada função (DORAN & PARKIN, 1994)”. Para Brady & Weil (2008), as muitas funções do solo podem ser agrupadas em seis papéis ecológicos vitais: meio para o crescimento das plantas; ambiente para reciclagem de nutrientes e resíduos em geral; modificador da atmosfera; habitat para organismos vivos; meio para obras de engenharia; suprimento e purificação de água na natureza (Figura 3).
O solo visto como meio para o crescimento de plantas 
O solo é ancoradouro para o crescimento de plantas; proporciona o ambiente onde as raízes podem crescer, fornecendo-lhes, quando contém, substâncias essenciais para a planta como um todo; atua como regulador de temperatura para o crescimento radicular e protege as plantas contra toxinas. A figura 4 mostra um perfil de solo visto como meio para o crescimento de plantas.
“O horizonte do topo do perfil do solo, usualmente denominado camada arável, é a zona principal do desenvolvimento do raizame: armazena a maioria dos nutrientes disponíveis para os vegetais e supre grande porção de água usada pelas culturas; está sujeita à manipulação e orientação; mediante cultivo apropriado (uso de matéria orgânica, fertilizantes químicos, calagem etc.), sua condição física, química e biológica poderá ser facilmente modificada; em curto prazo, sua fertilidade poderá ser elevada, reduzida ou satisfatoriamente estabilizada em níveis consentâneos com a produção econômica dos cultivos. Isso explica porque grande esforço com investigação e pesquisa de solos tem sido despendido no horizonte superficial”(BRADY, 1998).
Quanto aos horizontes subsuperficiais, “embora não possam ser vistos da superfície, há poucos usos da terra que não são influenciados pelos seus atributos: a produção agrícola é influenciada pela penetração do raizame nesses horizontes e pelo armazenamento de água, ar, elementos tóxicos e nutrientes neles contidos; de igual forma, a seleção de locais para construção e a locação de rodovias são influenciadas pelas características dos horizontes subsuperficiais. Essas considerações assumem importância prática, pois esses horizontes estão sujeitos apenas a pequenas modificações humanas, exceto a drenagem. Por conseguinte, decisões quanto ao uso da terra dependem mais da natureza dos horizontes subsuperficiais do que das características da camada arável” (BRADY, 1998).
O solo visto como um reservatório de íons 
Dos 92 elementos químicos que ocorrem na natureza, 17 já foram comprovados como essenciais para a vida das plantas, o que significa dizer que elas não poderão crescer e completar seu ciclo de vida sem eles. Os elementos essenciais utilizados pelas plantas em quantidades relativamente significativas são chamados de macronutrientes; aqueles utilizados em quantidades menores são conhecidos como micronutrientes. “Além dos nutrientes minerais essenciais mencionados, as plantas também podem absorver pequenas quantidades de compostos orgânicos do solo; no entanto, a absorção dessas substâncias não é necessária para o seu crescimento normal. Os metabólitos orgânicos, enzimas e componentes estruturais que compõem a matéria seca das plantas consistem principalmente de carbono, oxigênio e hidrogênio, que a planta obtém do ar e da água (por meio da fotossíntese) e não do solo” (BRADY & WEIL, 2008). A figura 5 mostra o solo como um reservatório de íons, destacando-se, à esquerda, o papel do hidrogênio e alumínio no pH do meio e, à direita, o símbolo e as formas absorvíveis dos nutrientes essenciais para as plantas.
O conceito de fertilidade do solo 
Para Marcos (1983), “o solo tem contato direto apenas com o sistema radicular do vegetal. É por meio das interações entre o solo e o sistema radicular que porções do solo ou que nele se encontram - água, oxigênio, energia na forma de calor e nutrientes na forma de íons e de substâncias - são incorporadas pela planta. Há um comportamento do solo relacionado com a liberação de qualquer um desses elementos, substâncias ou calor; da mesma forma, há um comportamento da planta relacionado a cada parte, porção ou componentes do solo que não são absorvidos pela planta, mas que fazendo parte do solo respondem pelo seu comportamento. O conjunto dos materiais que são absorvidos do solo e dos seus comportamentos que controlam a sua liberação para as plantas constitui a capacidade do solo em possibilitar que o potencial genético do vegetal se manifeste. O grau de manifestação do potencial genético dependerá do que é absorvido e do quanto é absorvido. Em outras palavras: o solo é fértil para o crescimento do vegetal em grau diretamente proporcional ao conteúdo de materiais e energia, e de sua capacidade de liberá-los para o vegetal. Portanto, deve-se entender por fertilidade do solo sua capacidade de fornecer água, oxigênio, calor e elementos químicos essenciais aos vegetais. É correto dizer que um solo é fértil ou não, ou em que grau apresenta fertilidade - desde que se incluam nesse conceito todas as condições que são de competência do solo fornecer ás plantas. Não é correto dizer produtividade de qualquer das outras duas partes do sistema, pois nenhuma das três, isoladamente, produz coisa alguma. É correto dizer produtividade do sistema [solo-planta-clima], pois a produtividade agrícola é relativa ao sistema, e é usualmente expressa em unidade do órgão colhido por unidade de área”.
Estrutura – a chave da fertilidade do solo 
De acordo com

3 de ago de 2016

A VACA ECONÔMICA



Fernando Enrique Madalena
Departamento de Zootencia
Escola de Veterinária da UFMG
fermadal@pop3.lcc.ufmg.br

Produção por vaca ou lucro?


A vaca de altíssima produção é geralmente 
considerada o paradigma, o ideal a ser alcançado.
Com a redução da margem de lucro ocorrida nos últimos anos, o produtor de leite precisa cada vez mais prestar muita atenção no custo/benefício das práticas que adota. Gastar é fácil, mas o retorno da despesa nem sempre está garantido. O produtor de leite está submetido a verdadeiro bombardeio de propaganda visando vender insumos, que nem sempre se justificam. A vaca de altíssima produção é geralmente considerada o paradigma, o ideal a ser alcançado. Recente reportagem de prestigioso jornal, sob o título de “Escola tira nota 10”, mostrava na capa sofisticada sala de ordenha, com vacas de alta produção, um colírio para os olhos, coisa linda de ser vista. No texto, porém, aparecia esta frase: “Entretanto, a nota foi apenas 9,5 porque o sistema ainda não dá lucro...”. Pode ser vista aí a magnitude do problema: já nas nossas escolas estamos ensinando ao técnicos a perder dinheiro. Na minha avaliação, um sistema que perde dinheiro tira nota 0, e, se eu tivesse fazenda e o técnico assessor me fizesse perder dinheiro, o demitiria. Uma frase do Prof. Sebastião Teixeira Gomes vem a tona neste contexto: “Define-se o bom técnico como aquele que ensina o produtor a ganhar dinheiro”.


Sistemas caros e sistemas lucrativos
Parece até uma ofensa à inteligência do leitor falar uma coisa tão óbvia como que o objetivo do produtor deve ser ganhar dinheiro, mas como geralmente isto se apresenta como sinônimo de produzirem sistemas caros, deve ser feita a distinção. São duas coisas diferentes. Como já mostrado em encontro anterior, os sistemas de produção mais sofisticados não tem dado bons resultados econômicos, levando a conclusão de que o “leite caro não compensa”, como pode ser visto na Fig. 1 (Holanda e Madalena, 1998). Aqueles autores também apresentaram informações da literatura mostrando que produtores mineiros em fazendas que vendiam 550 litros/dia, com vacas mestiças produzindo 9 litros de leite/dia, tinham melhor resultado econômico que produtores paulistas em fazendas que vendiam 1800 litros/dia, com vacas Holandesas confinadas, produzindo 19 litros/dia.

Figura 1. Relação entre a rentabilidade (r) e o custo de produção em 07 fazendas “modelo”
o: fazendas de custo médio, x: fazendas de custo alto
Reproduzida de Holanda e Madalena , 1998.


Assim, os números disponíveis indicam que os sistemas de produção com altos custos não tem se sustentado economicamente. Resultados do sistema de produção com Holandês em free stall da EMBRAPA-Gado de Leite apoiam esta conclusão, apesar de não ter sido publicada análise completa do referido sistema. Como pode ser visto na Tab. 1, também já apresentada anteriormente, mesmo desconsiderando-se as depreciações, a produção de leite naquele sistema não paga os custos de manutenção. Não é de se surpreender, então, que intentos de privatiza-lo tenham sido infrutíferos, por falta de comprador interessado.




Quais as técnicas de produção econômica? 

Num estudo recente de Holanda et al. (2000) também foi verificado que fazendas com perfil tecnológico dito “mais tecnificado” tinham margem líquida negativa, apesar de obterem maior produção por vaca, do que sistemas com rebanho mestiço intermediário que gastavam menos em diversas rubricas. Durante a defesa da dissertação respectiva, foi feita a seguinte argüição por membro da banca: “As fazendas que obtinham maior margem líquida usavam menos inseminação artificial, menos remédios, menos concentrados, menos ordenha mecânica e
tinham gado menos especializado. Faziam todo o contrário do que a técnica indica. Você recomendaria isto ao produtor?” A resposta do estudante foi: “sim, uma vez que assim a rentabilidade era positiva e de outra forma ocorria o contrário”.
Este exemplo serve para ilustrar preconceitos existentes quanto ao que deva ser a boa técnica. Por exemplo, ninguém poderá negar que a inseminação artificial é uma ótima técnica reprodutiva, desde que bem aplicada e desde que o investimento no sêmen corresponda á realidade da fazenda (Madalena, 1986).
Argumento semelhante aplica-se à ordenha mecânica, muitas vezes necessária mas outras não, quando implementada sem a necessária infraestrutura de apoio técnico, inclusive treinamento dos operários e gerentes, para garantir seu funcionamento apropriado. A educação e treinamento das pessoas envolvidas na produção são muitas vezes negligenciadas ao se recomendar uma dada técnica, da mesma forma que a decorrência lógica de maior remuneração do pessoal melhor qualificado.
A rubrica despesas com saúde merece cuidado, já que se bem é verdade que algumas das despesas, como a maioria das vacinas, são indispensáveis, outras dependem do manejo. Por exemplo, as despesas decorrentes da mamite podem ser reduzidas utilizando-se métodos apropriados de prevenção. As despesas com controle químico de parasitas também podem ser reduzidas com banhos estratégicos, rotação de pastagens e uso de genótipos resistentes. No encontro anterior, Teodoro et al. (1998) mostraram que a infestação com carrapatos não tinha efeito sobre a produção de leite de vacas mestiças, enquanto que as Holandesas sofriam uma redução de 25%. Assim, maiores despesas com saúde não necessariamente indicam melhor técnica, podendo inclusive indicar o contrário, se está se usando o gado errado ou manejo sanitário inadequado.
A rubrica “despesas com concentrados” merece atenção destacada, porque existe o mito generalizado entre os técnicos de que a alimentação deve maximizar a produção, quando, de novo, o que interessa é o custo-benefício da alimentação. Os resultados de Villela et al. (1996) servem de exemplo neste sentido. Eles comunicaram que vacas Holandesas em sistema de “free stall”, com dieta completa ad libitum à base de silagem de milho e concentrado, produziam 20,6 kg de leite por dia, enquanto que vacas comparáveis, em pastagem de coast cross, recebendo 3 kg de concentrado por dia, produziam 16,6 kg de leite por dia. Entretanto, a despeito de sua menor produção, a margem bruta do segundo grupo foi de US$ 764, contra US$ 570 do primeiro, uma diferença de 34% a favor do grupo que produzia menos porém com alimento mais barato.
A raça ou cruzamento escolhido também deve obedecer a critérios econômicos, em sintonia com os outros elementos do sistema de produção. É bem conhecida a superioridade dos mestiços para produzir em sistemas que oferecem forragens de menor qualidade, baixos níveis de concentrados, desafio de parasitas e calor, enquanto que na ausência destas limitações o gado Holandês é preferível.
Os resultados de experimentos de cruzamentos de Bos taurus x B. indicus, principalmente os brasileiros, foram revisados recentemente por Madalena (1997). Em níveis de produção de menos de 10 kg de leite por dia de intervalo de partos, a superioridade das mestiças (híbridas), especialmente das F1, tem sido consistente, para a quase todas as características de importância econômica, incluindo produção de leite, gordura e proteína, idade
Adega D
à puberdade e ao primeiro parto, eficiência de conversão de alimentos nas novilhas, mortalidade, morbidade e custos de saúde de bezerras, taxa de descarte de novilhas e vacas, vida útil, preço das vacas de descarte e custo da ordenha (Madalena, 1993).
A heterose acumulada nas diversas características componentes do desempenho econômico tem resultado em grande superioridade do cruzamento F1, especialmente em níveis de produção mais baixos (Fig. 2). Nota-se novamente nesta figura o pior desempenho econômico decorrente do alto uso de concentrados, no nível “alto” de manejo.
A superioridade do cruzamento F1 já vem sendo reconhecida também em outros países. Na Colômbia pudemos verificar produção de F1 inseminando vacas Holandesas com Gir e Guzerá no planalto de Bogotá, onde a altitude de 2400 m causa clima temperado, sendo

10 de jul de 2016

QUAL A VACA IDEAL? O EQUILÍBRIO ENTRE A FORMA E A FUNÇÃO


QUAL A VACA IDEAL? 
Por LUIZ JOSAHKIA
Há exatos dez anos, Carlos Henrique Cavallari Machado, incansável batalhador por uma pecuária produtiva, Nelson Pineda (in memoriam), o professor José Aurélio Garcia
Luiz Josahkian
Bergman e eu fizemos, a nós mesmos, uma pergunta: "Como se parecia uma vaca zebuína ideal? Qual seria o seu tamanho? Qual seria o seu peso?”.

Então nos pusemos a caminho da busca por uma resposta. A intenção original do nosso projeto, que se revelou quase infantil ao final, como veremos logo adiante - era traçar o desenho do biótipo da vaca ideal.

E foi assim que nos lançamos a pesquisar sobre como seria a vaca "ideal" e, para sabermos a resposta, fizemos o caminho inverso, ou seja, deixamos que as vacas de ótima performance nos contassem como elas eram. Identificamos no banco de dados nacional da ABCZ quais eram as vacas, no país todo, que atendiam aos seguintes critérios:
1) Criadas, recriadas e reproduzido a campo somente por monta natural ou inseminação.
2) Com idade ao primeiro parto menor que 36 meses e intervalo entre partos de no máximo 15 meses.
3) Com idade entre 2 e 15 anos, que nunca falharam e que desmamaram todas as crias com peso acima da média dos seus contemporâneos.
A pesquisa no banco de dados envolveu 873.884 vacas da raça nelore, a raça mais numerosa e para a qual foi possível desenvolver o trabalho. Destas, 1.010 atenderam aos requisitos, das quais foi possível localizar, pesar, avaliar e medir 334 vacas em um trabalho conduzido no país todo pela competente equipe de campo da ABCZ.

Os resultados morfométricos médios encontrados levaram à definição do que o grupo de pesquisa denominou de a "vaca ética" em uma conceituação lúdica, porém, técnica.

É possível, com um pouco de esforço, visualizar nossa "vaca ética". Começando pela estrutura, um parâmetro muito ligado ao tamanho e que foi medido em uma escala de 1 (muito pequenas) a 6 (muito grandes); as vacas se concentram entre 4 e 5 (68%), ou seja, aos extremos tiveram frequência mínima (nenhuma ocorrência para nota 1 e apenas 13% para nota 6). Basicamente, o mesmo aconteceu para musculosidade, no qual vacas débeis não foram encontradas nem as muito musculosas, com frequência desprezível.

LUIS TUDE (Portanto porte médio e musculosidade mediana são desejáveis)

Para precocidade, usando a mesma escala (1 para tardias e 6 para muito precoces), a classificação para 82% das vacas variou entre 3 e 5. Nenhum biótipo tardio foi encontrado. Outro indicador interessante foi o ângulo de inclinação da garupa, em que 91% das vacas apresentaram garupa entre levemente inclinada a inclinada, reforçando o conceito de facilidade de parto dos zebuínos. Nenhum umbigo penduloso foi verificado, sendo que 74% ficaram entre reduzido e bom.
LUIS TUDE (Portanto fertilidade estaria relacionada inversamente a umbigos longos)
 A altura média de anterior foi de 141 centímetros com 68% das vacas variando entre 135 e 146 centímetros. Na altura de posterior, a média foi de 147, concentrando se entre 141 e 153 centímetros. O comprimento do corpo seguiu padrão semelhante (151 em média), mas com extremos de 128 a 178 centímetros. A média para o perímetro torácico foi de 188, com variações mais significativas de 128 a 229 centímetros. E por fim, o peso médio dessas vacas, um indicador muito expressivo foi de 421 a 570 quilos.

Clique na imagem acima
LUIS TUDE) Portanto porte médio é desejável em torno de 1,41 m cernelha e 1,47 m garupa, comprimento médio de 1,51m, perímetro torácico 1,88 m e peso médio de 495 kg (16,5 @).

Pois bem, como disse no início, a busca do biótipo ideal se revelou ilusória. A partir da análise desses dados morfométrico, percebemos que a vaca ética não é única nem padronizada: ela pertence a um conjunto com plasticidade fenotípica. Contudo, ficou evidente também que as nossas vacas funcionais e éticas fugiram dos extremos. Elas parecem residir naquele espaço onde reinam o bom senso e o equilíbrio entre a forma e a função.

*Luiz Josahkian, é zootecnista, especialista em produção de ruminantes e professor de Melhoramento Genético na Faculdade Associadas de Uberaba - FAZU. É Superintendente Técnico da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). Artigo publicado pela Revista Globo Rural - Ed. Jun. 2016.
O EQUILÍBRIO ENTRE A FORMA E A FUNÇÃO

Por LUIS TUDE SABACK DE ALMEIDA – 04/07/2016

Luis Tude
Li detalhadamente o artigo do amigo e colega do colegiado de jurados da ABCZ  Luiz Josahkian, que redigido de forma bem clara e acessível ao meio rural, destaca que uma a vaca ideal não tem um padrão morfométrico específico, entretanto ela detém uma espécie de conjunto, onde o bom senso da biologia animal com sua sabedoria de vida útil e preservação produtiva da espécie determina o equilíbrio entre a forma e a função.
Leiam o artigo em: http://www.crpbz.org.br/Home/Conteudo/15500-Qual-e-a-vaca-ideal-Luiz-Josahkian-responde
Referindo-me também ao que compreendi de suas palavras, uma vaca ideal não possui mensurações morfológicas zootécnicas com medidas extremas! Portanto buscar o equilíbrio entre forma e função passa pelas vacas de porte médio! Se for assim qual a lógica de se buscar extremos de ganhos de peso e de produções leiteiras nas diversas provas zootécnicas em moldes norte americanos?  Estaria correto, buscar animais maiores e mais pesados na idade adulta, sem limites biológicos?

Ao aceitar a s mensurações sem limites biológicos, não seríamos como cegos conduzindo cegos com destino ao despenhadeiro do prejuízo pela falta de produtividade?

Ao aceitar a s mensurações sem limites biológicos,
 não seríamos como cegos conduzindo cegos com destino
 ao despenhadeiro do prejuízo pela falta de produtividade?
A moderna Zootecnia nos mostra que devemos dar maior importância à redução da curva de crescimento buscando animais mais prontos em menores idades. Claro isto também terá um limite, também imposto pela biologia animal, pois não podemos conseguir a precocidade de um suíno em um bovino! O segredo da maior produtividade está na precocidade, ou seja, na velocidade que um animal atinge sua maturidade sexual e de terminação e isto não encontraremos nos animais de portes maiores, com grandes pesos adultos, iremos sim encontrar nos de médio porte!!!!!

A Biologia animal, pela Zootecnia e principalmente pela Bioclimatologia e Fisiologia Animal, nos mostram que quanto maior o porte, menor a precocidade, então animais de grande porte são tardios, menos férteis e além disto, também menos produtivos, não só pelos maiores custos de suas produções, mas porque “basicamente” se mede produtividade pela produção por área, e não pela produção individual de cada animal, assim se prima pelo todo e não pelo individuo de maior porte.  Temos que entender que não estamos a criar elefantes, e sim gado bovino, apesar de muitos encherem os olhos com o tamanho dos elefantes! Se tudo que apresentasse nas espécies bovinas que produzimos, características como tamanhos maiores, não estaríamos em regiões tropicais quentes, mas nas regiões temperadas e mais frias, como no Canadá, onde portes maiores são desejáveis.
O que nos enche os olhos não deveria ser o tamanho do animal e seu peso, mas sim sua capacidade de fechar ciclos rapidamente dando rapidez no retorno do capital investido! Por isto pecuária tem sido conduzida desde o império de forma equivocada no Brasil! Por isto muitos quando não tem prejuízo nítido, tem prejuízo oculto, sem fazerem a menor ideia, mas implícito no sistema produtivo que pratica!
https://www.youtube.com/watch?v=Tmf3bDVms6U
Outro aspecto importante, mas que nos leva a refletir de forma mais ampla no artigo, é que extremos de produção também não são desejáveis, portanto se vacas muito musculosas não são as mais produtivas, dadas às suas altas necessidades de manutenção corporal e de produção de carcaças mais musculosas e pesadas, também vacas de alta produção leiteira, não são mais produtivas, dada a sua condição de maiores exigências de produção aliada a mais frágil condição de saúde.
Toda esta reflexão nos leva à grande necessidade do “equilíbrio entre a forma e a função” para sistemas pecuários produtivos eficientes e isto encontramos de forma aperfeiçoado na DUPLA APTIDÃO e em animais de PORTE MÉDIO! Isto encontramos no SINDI!



Pensamento do mês

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