28 de jul de 2015

Núcleo Nordeste de Criadores de Sindi

No dia 18 de Julho, durante o dia D, na Fazenda Carnaúba  em Taperoá, foi fundado oficialmente o Núcleo  Nordeste de Criadores de Sindi.  Na ocasião diversos criadores de Sindi estavam presentes assim como os principais selecionadores nordestinos que fizeram questão de se fazer presentes para prestigiar a iniciativa. Nomes como Dr. Manoel Dantas Villar e seus filhos,  Dr. Paulo Leite e filho, Mario Borba, Pompeu Borba , Pompeu Maroja , Alexandre Brasil  entre outros aplaudiram entusiasmados as palavras de abertura proferidas pelo  ex-presidente da Abcsindi Dr. Paulo Leite  e pelo presidente eleito do núcleo,  o baiano Cezar Mastrolorenzo, ele e seu primo José Caetano formam na Bahia a Bahia Red Sindhi, que introduziu o gado Sindi oficialmente no estado  em 2009.
As ações do núcleo serão voltadas para preservar o gado Sindi rústico e produtivo, aproximando o produtor nordestino à raça que mais se adapta as inóspitas condições do sertão.
Abaixo transcrevemos o discurso de posse.
Senhoras e Senhores, amigos, criadores e autoridades aqui presentes,


LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!!
Quando em 2009 pela primeira vez avistei um rebanho Sindi na estação da EMEPA eu senti algo diferente, fui cativado imediatamente ao ver aquele rebanho vermelho  pastando tranquilamente no brejo de Alagoinha.  Não sabia eu que no fim daquele mesmo dia o Sindi entraria para a minha vida definitivamente.  Não sabia que cinco anos depois eu é que entraria para a vida do Sindi com a missão de divulgar e promover a raça em todo nordeste.
Mas será que a raça milenar vinda do deserto do Paquistão, aprimorada e melhorada durante milênios precisa realmente de que cuidemos para que não  sucumba ao imediatismo mercantilista moderno? Será que uma raça que resistiu aos piores terremotos, secas, guerras, precisa mesmo da nossa ajuda para continuar sobrevivendo? Sim amigos! Quando Felisberto Camargo , em sua viagem épica em 1952, enfrentou todas as diversidades para introduzir o Sindi no Brasil, talvez não imaginasse o tamanho do  benefício que estava fazendo á milhões de brasileiros que vivem no nordeste, jogados à própria sorte e contaminados com as receitas importadas, prontas, que o colonialismo insiste em nos jogar por guela abaixo. A raça Sindi chegou pronta, com dupla aptidão e com extrema rusticidade, é e será o grande norte que guiará todos os rebanhos brasileiros, do leite à carne, todos precisarão das qualidades que só a raça Sindi detém.
Sindiristas nordestinos, não me sinto preparado para a tarefa que me pedem, presidir um grupo que tem em sua composição grandes ícones da seleção do Sindi no nordeste, como Dr. Manoel Dantas Villar, Paulo Roberto de Miranda Leite, Pompeu Borba, Mário Silveira , entre outros, é para mim um desafio que só poderei enfrentar com a ajuda de todos. Não só os grandes selecionadores da raça mas, todos aqueles que de forma direta ou indireta promovem o Sindi, os pesquisadores, técnicos, tratadores e principalmente o produtor, aquele que acorda todo dia antes do sol nascer para tirar o leite , aquele produtor que vive diariamente a agonia das longas estiagens, que sobrevive apesar do mundo inteiro parecer conspirar para o contrário, esse produtor é que vai nos ajudar , pois é dos resultados dele que nosso núcleo sobreviverá e não dos artificialismos do boi de cocheira. Precisamos levar a raça Sindi para junto do produtor rural , onde em cada curral de pau a pique desse Brasil terá ao menos um torurinho vermelho reluzente, gordo e forte, transmitindo não apenas sua genética mas, acima de tudo levando esperança a milhões , levando leite para merenda escolar e proteína animal de baixo custo para a mesa do brasileiro.
Não poderia deixar de mandar um grande abraço ao Padrinho do sindi Baiano, Ricardo Granville, aos amigos, Joaquim e Daniel, Alexandre Brasil , José Otávio Silveira , Francisco Pordeus e  Pompeu Maroja,  todos juntos pelo mesmo ideal de preservar a genética vitoriosa do Sindi a qualquer custo. Não seremos um grupo preocupado apenas com os resultados financeiros mas, juntos trabalhando com a ABCSINDI, a nossa querida associação, temos que olhar para o futuro. O mundo precisa da genética do Sindi, e o Brasil tem hoje potencial para levar a raça aos quatro cantos do planeta.
Prezados amigos, tenho convicção que a jornada que nos espera é dura. Entre uma seca e outra o sertanejo vive e morre, ri e chora mas, sobrevive. Sobrevive e  viverá na esperança que se renova a cada dia. Esperança com os pés no chão , sem ilusões, como disse o saudoso poeta Ariano Suassuna,  “O Otimista é um tolo. O pessimista um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.


Muito obrigado a todos.

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