2 de set de 2012

Mudanças climáticas: A escolha certa da raça e do sistema de criação garante o aumento na produção leiteira

Por Bonifácio Benicio de Souza e Iran José da Silva
postado originalmente em http://www.milkpoint.com.br/ 18/11/2008.
Fatores que afetam a produção de leite no Brasil
A produção de leite depende de vários fatores, como a raça, instalações, alimentação, manejo, sanidade, bem estar e conforto térmico. Com as mudanças climáticas, os países tropicais como o Brasil enfrentarão maiores problemas na produção animal, em função do estresse calórico acentuado. Pois as raças de alta produção de leite são mais exigentes com relação a diversos aspectos, principalmente no que se refere ao bem estar térmico. Assim, é importante que os produtores atentem para escolha correta da raça para sua região.
Sindi D (Paraíba)

De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos - CPTEC, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), há previsão de temperaturas entre normal a acima dos valores climatológicos esperados para as regiões Centro-Oeste e parte da Região Sudeste, já a partir do segundo semestre de 2008, o que observamos nesses últimos meses. Dessa forma, devemos considerar que para a região nordeste e especialmente o Semi-árido o impacto seja ainda maior, por se tratar de uma região que já apresenta temperaturas muito elevadas, acima de 30°C na maior parte do ano, chegando a 38°C na estação mais quente. 
Raça Holandeza
Não há receita de bolo, porém recomenda-se a todos os produtores providências para reduzirem os impactos negativos e inevitáveis, preconizados com o aquecimento global. Recomendamos a criação de raças com elevado grau de adaptação à cada região; a utilização de novas tecnologias, a construção de instalações adequadas e o manejo ajustado às exigências térmicas regionais.
A escolha da raça depende de vários fatores, tais como a finalidade, o mercado, a localização, o clima, o tipo de produtores e o nível tecnológico adotado. Nos últimos anos, no Brasil, houve um aumento de 36,07%, e todas as regiões tiveram um incremento considerável na produção de leite. Todavia, a região Norte teve o maior aumento (102%), embora ainda permaneça sendo a região com menor produção leiteira do país. A região Sul ficou em segundo lugar, com um acréscimo de 62% e continua na segunda posição. A região Sudeste, embora tenha apresentado o menor aumento em sua produção nesse período (16%), se mantém na liderança (IBGE, 2006).
Girolanda
As regiões Sul e Sudeste, por apresentarem um clima ameno e condições favoráveis para produção de forragem de boa qualidade, são contempladas com maior rebanho de raças de alta aptidão leiteira, como a Raça Holandesa (Figura 2). Como exemplo, só o Oeste catarinense conta hoje com um rebanho leiteiro formado por mais de 300 mil vacas Holandesas em produção, com um volume de leite produzido superior a 85 milhões de litros/mês (Revista Agropecuária Catarinense, 2007). Considerando que a maior produção de leite no país é proveniente dessas regiões, onde é predominante a raça Holandesa dentre outras, deve-se considerar que esses animais são muito sensíveis ao calor, o que exige dos criadores bastante atenção para oferecer as melhores condições de conforto térmico, principalmente nas estações de primavera e verão, quando as temperaturas são elevadas.
Para as demais regiões do país, onde imperam temperaturas elevadas e outros problemas de ordem hídrica como as secas, a exploração de animais de alta produção, de origem de climas frios é praticamente inviabilizada. Sendo assim, é um desafio manter a produção de leite em níveis satisfatórios, nessas regiões. Para tanto, é necessário, em primeiro lugar, escolher a raça com maior grau de adaptação aliada a uma produção de leite que atenda a finalidade de forma econômica e sustentável; em segundo lugar, providências no sentido de oferecer um ambiente que atenda às exigências desses animais.
O cruzamento de raças especializadas na produção de leite com raças zebuínas com aptidão leiteira é uma alternativa viável para o país. Como exemplo a raça Girolando (Figura 3), resultante de cruzamentos da raça Holandesa com a Gir leiteira, é uma raça que congrega as qualidades genéticas para produção de leite de ambas as raças, e a capacidade de tolerância ao calor da raça Gir, que por ser de origem de clima quente já tem em seu genótipo as qualidades intrínsecas para suportar temperaturas elevadas em comparação as de origem de climas frios como a Holandesa.
De acordo com o serviço de Controle leiteiro, no período de fevereiro a abril de 2008, com um número de 364 lactações, a produção média das vacas Girolando foi de 5.406,72 kg, com duração de 317 dias de lactação, com média diária de 17 kg/dia. O que garante uma produção viável para a maior parte do território brasileiro. É uma excelente raça para ser criada em quase todas as regiões do país. Contudo, os cuidados com o conforto térmico são indispensáveis.
Para

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