10 de ago de 2012

O SINDI E O TAMANHO DO BOI IDEAL

    Há alguns anos nós criadores de Sindi já tínhamos conhecimento que o tamanho do gado aqui no sertão é um fator determinante para um melhor aproveitamento de nosso pequeno período chuvoso. Ou seja, o Sindi por seu porte médio e sua boa conversão alimentar tem demonstrado ser o gado ideal para ser criado em climas menos favorecidos como o sertão nordestino.
      Em vários artigos, e publicações o tamanho do Sindi é ressaltado como fator positivo e determinante para o seu bom desempenho a campo e o que é mais importante não há diferenças entre o “Sindi de pista” e o “Sindi de campo”. Para ser mais claro o tamanho e peso do boi Sindi que nos é apresentado nas exposições e leilões é o mesmo do boi criado à campo. Além disso, o que é mais importante é que podemos pegar um Sindi que está em uma baia de uma exposição e colocá-lo diretamente no campo para criar que não haverá diferença alguma em seu desempenho. No sertão em que os índices pluviométricos são baixos e concentrados em pequenos períodos do ano, “encher” uma carcaça grande é praticamente impossível, mas engordar rapidamente um boi de médio porte é perfeitamente viável.
    Na EXPOZEBU , maior exposição de raças zebuínas do mundo, há alguns anos, a principal crítica que se faz aos julgamentos se refere à premiação de animais muito grandes. Na raça Nelore, por exemplo, enquanto o peso médio de uma matriz no campo é de aproximadamente 550 quilos aos três anos de idade, no animais para julgamento o peso passa facilmente dos 900 quilos, nos touros a relação ainda é maior. Em uma entrevista concedida à revista Dinheiro Rural (junho 2012) vejam o que diz o criador de nelore e brahman Ovídio Carlos de Brito , da fazenda Vale do Guaporé em Pontes e Lacerda (MT). “ Bovinos grandes são antieconômicos porque precisam de mais pasto para ganhar peso e demoram mais para ficar no ponto de abate. No caso do nelore, o peso deveria estar próximo de 500 quilos, entre 24 e 30 meses de idade” ainda segundo Brito , que já foi presidente da Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) e é o maior criador de touros do país. “As discussões na Expozebu em torno do tamanho ideal dos animais nunca chegam de fato ao que precisa ser feito, ou seja, penalizar quem cria animais muito grandes.” Como vocês podem observar a preocupação com o tamanho ideal e a disparidade de tamanho entre animais de pista e os de campo é uma preocupação de criadores de todas as raças. Na mesma entrevista o zootecnista William Koury Filho, dono da consultoria Brasilcomz, de Jaboticabal (SP), e juiz da raça guzerá, peso e tamanho de um animal são temas que não podem sair da agenda da Expozebu. Diz ele : “A equação entre peso e tamanho é a chave para se obter animais mais eficientes e produtivos” completa ainda “ Olhar o que está dando certo no campo deve ser o modelo de escolha do melhor na pista de julgamento”.  Koury Filho é doutor em produção animal pela Universidade Estadual Paulista  e estudou quase oito anos como fazer a avaliação visual em bovinos e escolher animais equilibrados. Em 2008 sua tese foi incorporada ao programa de melhoramento genético da ABCZ.
      Como podemos observar, hoje há uma preocupação em transformar os animais grandes expostos a cocho em animais equilibrados que poderiam também sobreviver a campo. Não podemos também desconsiderar o melhoramento genético imposto as raças zebuínas que transformaram o Brasil no maior produtor de carne do mundo porém é hora de colocar o pé no chão e ver que apenas o tamanho não é fator de melhoramento, e sim pensar na precocidade, padrão genético e adaptabilidade ao campo. 
Resumindo em uma só palavra, equilíbrio.

Cezar Mastrolorenzo
Secretário da ABCSindi
   

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